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Orientações Pré-Projeto
Orientações para o pré- projeto de pesquisa

Ao se inscrever para Seleção do curso de Mestrado do CEPEAD, o candidato deverá apresentar um pré-projeto de pesquisa de, no máximo, cinco páginas A4 anexadas ao curriculum vitae. Esse projeto deverá conter:

1. Título;

2. Introdução (justificativa, importância e/ou atualidade do tema e colocação do problema a ser pesquisado) que deve ser finalizada com a colocação do objeto da pesquisa;

3. Referencial teórico - indicação das diversas abordagens, linhas de pesquisa ou correntes de pensamento existentes sobre o tema ou, pelo menos, indicação das idéias centrais dos autores consultados acerca do tema;

4. Metodologia - especificação dos procedimentos de pesquisa que serão adotados para viabilizar a solução do problema (ver relação de livros indicada abaixo pelo Programa)

5. Bibliografia - indicação correta dos livros, capítulos de livros e/ou artigos pesquisados.


Bibliografia sugerida para consulta sobre metodologia de pesquisa:

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1987

ROESCH, Sílvia Maria Azevedo. Projetos de estágio e de pesquisa em Administração. Guia para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudos de caso. São Paulo, Atlas, 2ª edição, 1999.
(contém parte sobre estudo de caso em Administração com relatos de casos de diversas áreas e anexo sobre citações e referências bibliográficas).

FRANÇA, Júnea Lessa et al. Manual para normalização de publicações técnicas e científicas. 4ª Edição, Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999, 213p.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2000 92p

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3a ed. São Paulo: Atlas, 1996. 159p

MODELO DO PRÉ- PROJETO DE PESQUISA

1) Título : “A gestão nas ONG’s assistenciais dos fatores organizacionais relacionados com a capacidade de sustentabilidade”.

Autor: (nome)

2)Introdução

O atual cenário econômico, social e político tem sido apontado como ímpar na história mundial. Uma reorganização do papel do Estado, do Mercado e da Sociedade Civil está alterando a interação entre estes atores.

Muitos autores (COELHO, 2002; GOHN, 1997; GONÇALVES, 1996;) têm remetido a causa deste novo contexto à crise do chamado welfare state. Segundo Coelho (2002) devido à insuficiência de resposta do welfare state para resolver os problemas sociais, a sociedade civil passa a ser demandada a participar da solução destas questões.

No Brasil, estas transformações possuem suas especificidades. A sociedade civil é vista prestando serviços sociais desde o início do século XX. Porém, uma mobilização mais explícita e com resultados mais contundentes tem acontecido a partir de dois movimentos. A queda do regime militar, reordenando as forças político-sociais em blocos partidários, e as práticas de políticas desestatizantes, sendo muitos serviços assistenciais terceirizados pelo Estado.

Neste contexto, tomam cada vez mais importância os organismos da sociedade civil denominados, ONG’s – Organizações Não Governamentais. Estes organismos passam a ter crescente relevância na prestação de serviços e ampliam sua presença na sociedade, tornando-se essenciais para o exercício das atividades do Estado junto à população.

Frente ao reconhecido papel que as ONG’s têm exercido, uma questão importante se refere à gestão destas organizações. A gestão nas Organizações Não Governamentais encontra-se num campo complexo com desafios singulares, diferentes daqueles vividos na Administração Pública e Privada. Mas, a despeito das dificuldades, a atividade de gestão pode capacitar a organização a proporcionar o impacto social demandado e ainda manter sua identidade e coesão organizacional, requisitos para a continuidade de seu trabalho.

Diante da atuação central da gestão no desempenho do papel de atores tão importantes no cenário atual, apresenta-se o seguinte problema: “Como as ONG’s assistenciais têm gerenciado os fatores organizacionais relacionados com sua capacidade de sustentabilidade?”

As ONG’s assistenciais desenvolvem um trabalho de extrema relevância, se colocando no atendimento de serviços decorrentes da insuficiência do Estado, ao mesmo tempo em que se inserem num contexto marcado pelo conflito entre a dependência e a autonomia, seja do Estado, dos seus doadores, dos seus beneficiários ou de outros stakeholders.

A questão da sustentabilidade é colocada a fim de se priorizar os esforços que garantem a existência da organização no longo prazo e, também, no sentido de tratar a instituição como um organismo constituído de várias partes, sendo que o importante é a harmonia entre elas.

Para a análise do problema apresentado, um estudo multi-casos de três ONG’s assistenciais de Belo Horizonte poderá retratar como estas organizações estão gerenciando seus aspectos básicos que garantem a sustentabilidade.

3) Referencial Teórico

As Organizações Não Governamentais têm sido tema de muitas publicações sobre as articulações da sociedade civil atualmente.

Sherer-Warren (apud Gohn, 1997, p. 55) caracteriza as ONG’s como “organizações formais, privadas, porém com fins públicos e sem fins lucrativos, autogovernadas e com participação de parte de seus membros como voluntários, objetivando realizar mediações de caráter educacional, político, assessoria técnica, prestação de serviços e apoio material e logístico para populações-alvos específicas ou para segmentos da sociedade civil, tendo em vista expandir o poder de participação destas com o objetivo último de desencadear transformações sociais ao nível micro (do cotidiano e/ou local) ou ao nível macro (sistêmico e/ou global)”.

Diante do conceito apresentado as ONG´s responsabilizam-se pelo desempenho de atividades muito importantes num contexto bastante influenciado por forças diversas e conflituosas.

Salamon (1997) in Ioschpe (1997) questiona a permanência e a sustentabilidade das ONG’s, colocando que essas só serão alcançadas através da transposição de quatro desafios. O desafio da legitimidade – ligado às relações sociais externas da organização; o desafio da eficiência – abrangendo os serviços e pessoas envolvidas nas ONG’s; o desafio da sustentabilidade financeira – compreendendo os recursos gastos; e o desafio da colaboração – enfatizando mais uma vez o relacionamento com organismos externos às ONG’s. O autor apresenta a idéia de sustentabilidade ancorada em quatro áreas essenciais para o desempenho do papel social das Organizações Não Governamentais. Silva (2000, p. 9) ainda coloca que “a sustentabilidade envolve não só o levantamento e a adequada utilização de recursos financeiros, implica investir no desenvolvimento das pessoas que fazem parte da organização, melhorar a qualidade dos serviços e adequá-los às necessidades das comunidades, buscar adesão da sociedade à causa da organização e informar de forma transparente”.

Neste momento, faz-se importante a discussão destas bases para a sustentabilidade.

De acordo com Graaf (apud Lewis, 2001), as Organizações Não Governamentais estão inseridas num ambiente em que há fatores sobre os quais elas exercem controle - orçamento, pessoas, planejamento de atividades e estabelecimento de objetivos; influência - agências governamentais, outras ONG’s, doadores, setor privado, mídia e grupos da comunidade; e apreciação - estruturas políticas nacionais, sistema macro-econômico, estrutura legal, fatores ecológicos e contexto sócio-econômico. O autor coloca que os gerentes das ONG’s tendem a priorizar ações na área em que há controle, a despeito das outras áreas. Entretanto, Graaf (apud Lewis, 2001) pontua que o sucesso destas organizações depende em grande parte da sua habilidade de articulação nos setores em que elas exercem apenas influência e apreciação. O autor completa que as Organizações Não Governamentais são mais dependentes de fatores externos que outras organizações.

Abordando a questão do financiamento das ONG’s, Bennett et al. (1996) salientam a importância de adequadas ações de captação de recursos. Segundo os autores a disponibilidade de recursos tem decrescido constantemente e uma postura ativa diante deste cenário é essencial para o financiamento da organização. Os autores, entretanto, acreditam que há alguns desafios inerentes às organizações sem fins lucrativos. O primeiro diz respeito à visão e missão das ONG’s não estarem comprometidas com a luta pela sobrevivência, mas com a efetividade dos projetos junto aos beneficiários. E o segundo desafio explicita a importância da organização ter uma diversificada base de doadores, incorrendo em um menor risco de baixa de recursos e também em uma accountability múltipla e descentralizada.

Com relação às atividades das Organizações Não Governamentais, Carroll (apud Lewis, 2001) afirma que a prestação de serviços é o mais claro papel destas organizações no trabalho de desenvolvimento. Para o autor, algumas vezes os serviços são prestados por uma decisão da organização, tentando atender às necessidades da comunidade e em outros casos as ONG’s são “contratadas” pelo Estado para proverem os serviços. Lewis (2001), contudo, questiona a prestação de serviços ser um meio para a transformação dos beneficiários ou ser um fim, colocando as ONG’s como apenas mais um provedor contratado para oferecer serviços.

Centrando-se em outro aspecto das Organizações Não Governamentais, Handy (1990, p. 25) é bastante incisivo quando afirma que as “organizações são as pessoas”. O autor ainda ressalta que as dinâmicas envolvendo as pessoas que trabalham nas ONG’s possuem características especiais e assim ele levanta quatro áreas de importância: a motivação dos indivíduos - problematizada por trabalhos voluntários e remunerados; as pessoas e seus papéis - enfatizando a sobreposição, ambigüidade e conflito das funções nas ONG’s; as formas dos grupos – colocando a dificuldade de organização das pessoas em times; e poder e influência – salientando as difíceis relações de poder e autoridade dentro destas organizações.

Depois de apresentados os aspectos básicos que garantem a sustentabilidade das Organizações Não Governamentais, percebe-se que também é importante a articulação e a harmonia entre eles para que as ONG’s produzam resultados na sociedade. Neste contexto, Silva (2000) responsabiliza o gestor por desempenhar esta tarefa. Ressalta-se, então, a função da gestão na execução do papel da organização na sociedade. Udoh James (apud Lewis 2001, p. 2) argumenta que “a gestão é a energia vitalizadora das organizações, independentemente se elas são entidades privadas, agências públicas, sem fins lucrativos ou organismos não governamentais”.

Considerando as especificidades das Organizações Não Governamentais, Lewis (2001) caracteriza a gestão como um processo de escolha e equilíbrio que acontece num particular sistema de setores articulados entre si.

Dessa forma, é reiterada a importância desta atividade como um processo, flexível e participativo, trabalhando os fatores organizacionais relacionados com a capacidade de sustentabilidade das ONG’s.

4) Metodologia

O objetivo geral do estudo consiste em verificar se ONG’s assistenciais de Belo Horizonte estão gerenciando os fatores organizacionais relacionados com sua capacidade de sustentabilidade. Os objetivos específicos compreendem:

1) investigar a existência de gestão de recursos, pessoas, serviços e dos relacionamentos com stakeholders externos à organização; 2) verificar como está sendo feita a gestão destes aspectos e 3) investigar as conseqüências provocadas na sustentabilidade das ONG’s.

Para alcançar os objetivos propostos, propõe-se a realização de entrevistas em profundidade semi-estruturadas com pessoas de diferentes funções nas ONG’s e seus gerentes, a realização de entrevistas em profundidade semi-estruturadas com importantes stakeholders e análise documental.

A referida pesquisa possui um caráter descritivo e sugere o uso do método qualitativo de multi-casos, utilizando três ONG’s assistenciais de Belo Horizonte como objeto de pesquisa.

A análise dos dados deverá ser qualitativa, visando uma maior compressão do discurso dos entrevistados.

5) Bibliografia

BENNETT et al., Jon. NGO Funding Strategies: an introduction for Southern and Eastern NGOs. Oxford : INTRAC Publications, 1996. 90 p.

COELHO, Simone de Castro Tavares. Terceiro Setor: um estudo comparado entre Brasil e Estados Unidos. 2 ed. São Paulo: Editora SENAC, 2002. 223 p.

GOHN, Maria da Glória. Os Sem-Terra, ONGs e Cidadania: a sociedade civil brasileira na era da globalização. São Paulo: Cortez Editora Ltda, 1997. 165 p.

GONÇALVES, Hebe Signorini (org.). Organizações não Governamentais: solução ou problema. São Paulo: Estação Liberdade, 1996. 126 p.

HANDY, Charles. Understanding Voluntary Organizations. Harmondsworth: Penguin books Ltd, 1990. 180 p.

LEWIS, David. The management of non-governamental development organizations : an introduction. London : Routledge, 2001. 242 p.

ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágio e de pesquisa em administração: guia para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudo de casos. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1996. 301 p.

SALAMON, Lester. Estratégias para o fortalecimento do Terceiro Setor. In: IOSCHPE, Evelyn (org.) 3o Setor: desenvolvimento social sustentado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. p. 89-111.

SILVA, Antônio Luiz de Paula e. Utilizando o planejamento como ferramenta de aprendizado. São Paulo: Global, 2000. 127 p. (Coleção gestão e sustentabilidade).
 
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